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domingo, 11 de março de 2018

ELEIÇÕES 2018

Já pré-candidato do PSOL, Boulos ataca Temer e Bolsonaro

Líder do MTST foi escolhido como pré-candidato da sigla, mas enfrenta pressão interna


PSOL lançou oficialmente neste sábado Guilherme Boulos como pré-candidato à Presidência da República. O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) prometeu, caso seja eleito, convocar um plebiscito para saber se a população quer revogar medidas do presidente Michel Temer, como a reforma trabalhista. Durante seu discurso, rebateu acusações de que sua candidatura é muito próxima a Lula e criticou o também presidenciável Jair Bolsonaro, a quem chamou de "bandido".
A proposta é semelhante à já feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também acha que a população deve ser consultada sobre medidas de Temer. Na semana passada, a exibição de um vídeo do petista em outro evento de Boulos gerou críticas dentro da sigla, surgida como dissidência do PT. Para uma ala do partido, a candidatura de Boulos não pode virar uma linha auxiliar de Lula nas eleições.
Na conferência eleitoral do PSOL, realizada neste sábado em São Paulo, Boulos teve 71% dos votos dos delegados da sigla. Pré-candidato derrotado, Plínio de Arruda Sampaio Jr., criticou o processo de escolha do partido, disse que vai defender que a sigla tenha um programa de governo que proponha reformas estruturais e pregou a superação do lulismo, "seja o lulismo com Lula, seja o lulismo com Boulos".
— Boulos teve uma vitória que não leva o partido. Um terço do partido não digere a candidatura Boulos. É um terço formal (a votaçao foi só entre delegados). Mas, no partido real, 45%, 50% do partido não entende e não digere a candidatura. Ela nasce com déficit congênito de credibilidade e de legitimidade na base do partido. Criamos um problemão hoje e se chamada Boulos — disse Plínio Jr.
Já o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou que o partido se entendeu internamente depois da conferência eleitoral. Boulos foi saudado por militantes aos gritos de "Com o PSOL não abro mão, do candidato que faz ocupação". A líder indígena Sonia Guajajara, que também era uma das postulantes a pré-candidata à Presidência, recebeu votação unânime e será a vice na chapa de Boulos.
— Tivemos outras pré-candidaturas que puderam manifestar suas divergências. Mas o PSOL marcha unido, a partir de amanhã, em defesa dessa chapa. É a chapa de todo o PSOL e tem confiança da militância — afirmou.
Em resposta às críticas sobre o vídeo de Lula no evento de semana passada, Boulos classificou a fala do petista como "força de expressão" e evitou aumentar a polêmica:
— Entendo a fala de Lula como uma força de expressão. Nunca houve, na história da disputa eleitoral do Brasil, candidatos diferentes no mesmo palanque num primeiro turno - considerou Boulos.
'ROBIN HOOD AO CONTRÁRIO'
Em entrevista coletiva, após a escolha do seu nome, o líder do MTST afirmou que, caso seja eleito, sua primeira proposta é perguntar à população, por meio de um plebiscito, se querem revogar ou manter as medidas do governo de Temer, citando o teto de gastos públicos.
— Nem sequer a ditadura militar, em 21 anos, mexeu na CLT. Não há no mundo precedente como a Emenda Constitucional 95, que congela investimentos sociais por 20 anos; nem os maiores apologetas do neoliberalismo fizeram isso. Nem Margareth Thachter, nem (Augusto) Pinochet, nem Carlos Menem, nem Fujimori, ninguém ousou algo tão drástico, grave e brutal como foi feito com essa emenda — disse.
A tática de Boulos e Sônia é de enfrentamento, de "colocar o dedo na ferida de grandes temas pendentes há mais de 500 anos". Ele criticou o spread e os juros bancários e chamou o Estado de um "Robin Hood ao contrário". Falou isso a exemplo de Joesley Batista, empresário da holding J&F solto nesta sexta-feira, que recebeu "R$ 100 milhões em distribuição de lucros e dividendos e pagou só R$ 300 mil de imposto, menos de 1%, enquanto a pessoa de baixa renda paga 12%, 15% ou mais".
— Não aceitamos doação de grandes empresas e bancos, preferimos fazer campanha de chinelo rasgado do que receber dinheiro dessa gente — emendou.
'BOLSONARO É CRIMINOSO'
Além de Temer, outro alvo de Boulos foi o deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PSL. O líder do PSOL disse que não vê Bolsonaro como um concorrente, mas como "bandido, criminoso", e o acusou de incitar o racismo e a apologia ao estupro, em episódio com a deputada federal Maria do Rosário.
— O Bolsonaro será derrotado pelo povo braileiro. Eu tenho convicção disso. Bolsonaro vai ter que explicar porque ficou tantos anos junto com Paulo Mauf e nunca denunciou nem mesmo seu partido — afirmou Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio de Janeiro.
Também estiveram presentes na conferência a deputada federal Luiza Erundina (SP) e os deputados federais Ivan Valente (SP), Chico Alencar (RJ), Edmilson Rodrigues (PA), Jean Wyllys (RJ) e Glauber Braga (RJ).

Paula Soprana – O Globo

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