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sábado, 12 de maio de 2018

SANTA CRUZ - SUPERANDO E RECORDANDO

Eduardo Brito supera lesão, recorda passado difícil em Lajedo e sonha alto no Santa Cruz

Eduardo conseguiu se tornar jogador graças a ajuda do avô, que vendia cachorro-quente em Lajedo


Após dez meses fora dos gramados, zagueiro volta a ser opção no Tricolor


Eduardo tem o sorriso tímido. A voz grave e o aperto de mão firme, contrastam com o rosto de quem ainda acabou de sair da adolescência. Aos 21 anos, garoto de vários interiores do Brasil, na verdade já deixou muito mais do que apenas a infância para trás. Com experiência demais para idade de menos, teve o primeiro “salário” aos 15 anos: R$ 50 por mês para jogar na base do Porto, de Caruaru. Parou de estudar para jogar futebol. Depois, de jogar futebol para estudar. Duas vezes. Não desistiu. Nem desistiria quando, por mais de dez meses ficaria afastado dos gramados por uma lesão no púbis. De volta ao time e elogiado pelo técnico PC Gusmão, o zagueiro Eduardo Brito tem no horizonte sonhos de menino e a determinação de um calejado adulto.

Antes voltar a fazer um jogo oficial, há uma semana, contra o Remo, a última partida do defensor coral havia sido em 13 de junho do ano passado. Tempo demais longe de atuação que nem por um segundo fez Eduardo titubear. E olhe que ficar um tanto indeciso já fez muito parte da vida desse atleta. Entre o início no Porto e as passagens por Belo Jardim, Pesqueira, Afogados da Ingazeira até chegar ao Arruda, há dois anos, o zagueiro parou duas vezes de jogar. “Eu voltei para casa para estudar. Queria estudar de manhã e arranjar um emprego à tarde. Eu queria ajudar em casa”, lembra.  

Filho de pais separados, nascido em Itapecerica da Serra-SP, mas criado em Lajedo, no Agreste pernambucano, Eduardo aprendeu desde pequeno o sentido da palavra superação. A mãe, era dona de casa, faxineira, “faz-tudo”, como ressalta Eduardo. “Mesmo assim, ela nunca deixou que eu trabalhasse quando criança. Ela queria que a gente fosse criança e ponto. Sem trabalho infantil, sem isso. Era para estudar e brincar. Até hoje eu tenho saudades da minha infância”, afirma. O futebol viria a calhar.

O começo

O início foi na escolinha Azarias Alves, em Lajedo. “Era mais um passatempo, uma diversão”, recorda-se. “Aí depois fui gostando, fui levando a sério e daí em diante decidi correr atrás dos meus sonhos. Acabei gostando”, disse. Sonho de ser jogador que só pôde se tornar realidade à base de cachorro-quente. Que por incontáveis vezes foi o almoço e a origem dos trocados que Eduardo ganhava para pegar ônibus, ir aos treinos e ter o mínimo de condições. A ajuda extra vinha do avô, seu Zequinha do Cachorro-quente. “E olhe que ele nunca nem gostou de futebol”, revela.  

Do salário de R$ 50 do Porto, uma ajuda de custo, na verdade, Eduardo Brito nada podia gastar. “Comida era o clube que dava. Roupa dificilmente comprava e se comprasse dividia em num sei quantas vezes. Era o dinheiro que eu tinha para ir todo final de semana para casa. Sentia muita saudade da minha família, dos meus amigos. Ainda sinto para falar a verdade. Mas a gente vai se acostumando, aprende a administrar”, disse. “Depois, foi aumentando. Cheguei a receber R$ 300 no mês. Mais para frente, nos outros clubes, tive salário maior, R$ 1 mil, até R$ 1,3 mil”, lembra. Até a hora da virada.

Santa Cruz

Era 2016, ano da perda do avô-pai. Eduardo Brito tinha jogado o Estadual pelo Porto, na segunda passagem pelo time de Caruaru, quando desistira de jogar futebol pela segunda vez. Mal sabia que o caminho apontava para uma virada na vida. Apontava para o Arruda. “Eu estava estudando dessa vez à noite. Foi quando meu empresário me falou da proposta para jogar pelo Santa Cruz. Era para a base, mas eu sabia que subiria para o profissional. Era a chance da minha vida”, contou. “O time tava na Série A. Na última rodada, fiquei no banco contra o São Paulo, no Pacaembu. Foi uma felicidade muito grande. Seis meses antes, eu estava em casa”, falou.

Foi um ano e meio morando na concentração do clube, no Arruda. Até, há poucos meses, conseguir se mudar para Boa Viagem. Com contrato até o fim de 2019 no Mais Querido, Eduardo Brito, como qualquer atleta promissor, vislumbra jogar na Europa, Seleção Brasileira. Mais degrau a degrau. “Sei que o caminho é difícil e tenho que pensar em uma coisa de cada vez. Por isso, hoje só penso no Santa Cruz, em me cuidar mais para não me machucar de novo, fazer bons treinos para quando entrar estar preparado para fazer um jogo melhor que o outro e ir evoluindo e buscando meu espaço”, pontuou.

Volta por cima

Pela primeira vez na carreira, Eduardo Brito teve uma lesão. Não queria parar para não perder a oportunidade de entrar em campo. “Até que no jogo contra o Ceará a situação ficou precária. Não dava mais. Mas teve a lesão de Anderson Salles e era uma chance para mim. Eu fui no sacrifício. Depois, ainda fui para o banco contra o América-MG. Mas no outro dia depois do treino não estava conseguindo nem andar direito”, recorda.

Apesar de tantos meses de espera por uma resposta de melhora que parecia que nunca iria chegar, Eduardo Brito se mostrou tranquilo. “Dessa vez não pensei em voltar a estudar”, brincou. “Fiquei bem tranquilo, confiei em Deus e esperei ficar bom, era uma lesão que não tinha tempo determinado para ficar bom, era complicado, mas foquei no tratamento e agora estou aqui, pronto para lutar por meu espaço de novo”, concluiu o zagueiro.


Diario de Pernambuco

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