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sexta-feira, 17 de maio de 2019

SPORT - LEI DA MORDAÇA NA ILHA DO RETIRO

Afasta de mim este CALE-SE



 Numa varredura de final de dia na internet, me deparo com a notícia de que o repórter, Anderson Gomes, da Rádio Transamérica, havia sido proibido de fazer a cobertura do treino do Sport. Motivo: num programa da emissora, dois dos seus companheiros criticaram os dirigentes do clube.

Nos dias de hoje o fato é tão absurdo que pensei se tratar de uma das tantas fake news que são publicadas com objetivo de confundir a opinião pública. A "guerra" das inverdades e calúnias nas redes sociais se tornou insuportável. Para minha frustração o fato foi verídico.

Aderi à súplica do Chico Buarque e gritei para quebrar meu silêncio interior: Afasta de mim este CALE-SE!

A submissão da classe diante de um fato tão absurdo foi pior que a agressão. Afinal, a "Lei da Mordaça" faz parte de cultura do Clube da Ilha do Retiro.

Na década de 70, quando iniciava minha carreira jornalística, fui convocado pelo editor de esportes do DIARIO DE PERNAMBUCO, Adonias de Moura, para participar de uma assembléia na sede da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - ACDP. A época o presidente da entidade era o jornalista, Francisco José, que se posicionou contra a tirania do presidente do Sport, Jarbas Guimarães. A queda de braço entre os dois ganhou uma proporção inimaginável.

Adonias de Moura, Ivan Lima, Lenivaldo Aragão, José Bezerra, Luís Cavalcanti, Sílvio Oliveira, Edvaldo Morais, Júlio José, Robson Sampaio, Gomes Neto, Paulo Morais, Amaury Veloso, José Santana, Walter Spencer, César Brasil, Bartolomeu Marinho, Haroldo Rômulo, Ivo Suter, Givanildo Alves, Lula Carlos, Hélio Pinto... Enfim, todos que faziam parte da ACDP marcaram presença na maior assembléia da história da entidade de classe.

Vitória da unidade!

Ainda na década de 70, o presidente do Sport, Jarbas Guimarães, não satisfeito com uma matéria feita pelo jornalista, Amaury Veloso, foi até o DP, pedir a cabeça do profissional. O diretor, Antônio Camelo, recebeu o presidente leonino e manchou chamar na redação, o editor de esportes, Adonias de Moura.

Após ouvir as queixas e as reivindicações do dirigente rubro-negro, Adonias de Moura o colocou para fora da sala do diretor, Antônio Camelo, e disse que Amaury seguiria como setorista na cobertura do dia a dia do Sport.

Sempre achei que liberdade de imprensa é uma coisa utópica, principalmente no futebol.

Na década de 80, quando Emerson Leão iniciou sua carreira como treinador, no Sport, o presidente rubro-negro, a época Homero Lacerda, comprou uma briga com o comandante de esportes da Rádio Clube, Barbosa Filho. A briga do "rochedo com o mar", sobrou para o repórter, Pedro Luís, que foi proibido de entrar no clube.

Após o treino, Leão me viu com o gravador de Pedrão e perguntou o que estava acontecendo. Lhe fiz um relato dos fatos. O técnico foi claro: "Ele não pode entrar, mas eu não estou proibido de sair. Darei entrevista a ele lá fora".

A atitude de Leão acabou com o entrevero.

Em 2008, quando o Sport descrevia campanha vitoriosa na Copa do Brasil, e foi jogar com o Vasco, no Rio, cortou o assessor de imprensa, Amaury Veloso, da delegação. Precisei de uma informação para fechar a coluna que escrevia na Folha de Pernambuco. Liguei para Amaury que não tirou minhas dúvidas por não ter acompanhado o grupo.

Critiquei a ausência do assessor de imprensa na delegação de um clube que caminhava para a conquista de um dos títulos mais importante de sua história. O presidente, Milton Bivar, não assimilou a crítica. Foi em cima do Amaury e depois ligou para mim. Na nossa conversa ele foi enfático, afirmando que, o trabalho que o assessor faria, qualquer um poderia fazer, "até Pelé".

Para quem não conhece, "Pelé", é um dos seguranças do clube. Com tamanho pensamento, não dava mais para alongar a conversa com o presidente.

Caro Anderson Gomes!

Foi louvável o seu esforço no sentido de deixar claro que a proibição não foi pessoal, ou seja, ao homem, e sim, ao repórter funcionário da Rádio Transamérica. Seja qual for o alvo, a "Lei da Mordaça" é uma coisa abominável, truculenta e inaceitável.

Lamento o silêncio dos inocentes.


Por Claudemir Gomes

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