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terça-feira, 17 de setembro de 2019

PREÇO SERÁ MANTIDO

Bolsonaro: Petrobras não vai mexer no preço dos combustíveis

Bolsonaro ao chegar ao Alvorada nesta segunda, após a alta do hospital. Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS 
Presidente da Petrobras diz a Bolsonaro que estatal não vai mexer no preço dos combustíveis. Segundo Bolsonaro, economia brasileira ainda não está no nível em que esperávamos que estivesse.

RIO - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira em entrevista à TV Record que a Petrobras não vai mexer no preço dos combustíveis no país após o ataque com drones a instalações petrolíferas da Arábia Saudita no último sábado.
- A tendência natural é seguir o preço internacional que vem da refinaria para a bomba, no final das contas. O governo federal já zerou os impostos da Cide e não podemos exigir nada de governadores no tocante ao ICMS. Conversei agora há pouco com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e, como é algo atípico, ele não deve mexer no preço do combustível - disse o presidente.
- A companhia vai aguardar a volatilidade dos preços e tomar uma decisão. A estatal tem mecanismos de proteção, com a sua política de hedge. Além disso, o preço do barril fechou a US$ 68. Por isso, não há nada que justique ainda um aumento - disse uma fonte do setor.
Bolsonaro também mandou um recado aos caminhoneiros, mencionando o Cartão Caminhoneiro.
- Com esse cartão, lançado há poucos dias, o caminhoneiro pode chegar no posto e comprar X litros de óleo diesel, e por 30 dias esse preço estará garantido para ele.
Mais cedo, em nota, o Ministério da Economia  disse que o governo observa com atenção os ataques com drones a instalações de petróleo da Arábia Saudita.
Uma possível alta no preço do óleo preocupa por conta da reação imprevisível dos caminhoneiros.  O governo não sabe como a categoria receberia um aumento repentino no valor do combustível e teme a “fúria” dos motoristas.
"O Ministério da Economia informa que sua equipe técnica está acompanhando os desdobramentos do ataque à refinaria de petróleo na Arábia Saudita e analisando seus impactos no mercado internacional e na economia doméstica", afirma a nota.
Em maio, o anúncio de que a Petrobras iria reajustar o preço do óleo diesel irritou os caminhoneiros, que ameaçaram fazer uma nova paralisação nacional. Naquela ocasião, um acordo costurado pelo Ministério da Infraestrutura estabeleceu que o custo do diesel seria repassado para a tabela do frete sempre que o combustível subir mais que 10%.
Agora, o governo conta com esse gatilho para segurar uma eventual insatisfação da categoria.
O presidente falou ainda sobre acordos de fornecimento de produtos para outros países, como carne para a China e Indonésia.
- Basicamente, isso é o restabelecimento da confiança no Brasil, na qualidade de nossos produtos, e também quanto ao nosso zelo em relação ao meio ambiente - afirmou. - A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem rodado o mundo, conseguindo boas parcerias e bons contratos comerciais.
Ele reconheceu que a tramitação da reforma da Previdência "está demorando um pouquinho", mas que este mês "estará tudo resolvido, se Deus quiser".
"Guedes exonerou Cintra"
Sobre a demissão do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, Bolsonaro declaoru que foi o ministro Paulo Guedes que o exonerou, devido à discussão pública sobre a chamada "nova CPMF".
- Cintra foi meu colega por três mandatos no Parlamento, tínhamos boa relação, e foi indicado por Paulo Guedes para a Receita - contou. - Tínhamos combinado que não se entraria em detalhes na reforma tributária até a apresentação final do projeto. Mas em duas oportunidades isso foi antecipado pela equipe dele, e na última vez falou-se na volta da CPMF, e eu decidi que não se deve tocar mais nesse assunto, porque é um imposto contaminado.
Depois dessa defesa da CPMF, disse o presidente a situação de Cintra ficou insustentável.
- Quem o exonerou foi o ministro Paulo Guedes - afirmou.
Segundo Bolsonaro sua única interferência na Receita agora é a seguinte: o presidente quer um quadro interno à frente do órgão.
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Para ele, a CPMF é um imposto marcado, e o governo "não vai insistir" nele.
O presidente mencionou ainda os saques emergenciais do FGTS de R$ 500, recém-liberados pela Caixa Econômica, cujo impacto, avalia, será rápido.
- O dinheiro está ali. Muita gente criticou o valor baixo, mas eu já fui militar, e considero R$ 500 um valor muito bem-vindo. Esse dinheiro entra de imediato na economia, é uma injeção na veia, e vai ajudar a movimentá-la, porque a economia não está ainda no nível em que nós esperávamos que estivesse.
Segundo ele, o governo está fazendo "o possível para  movimentar a economia, desburocratizando, desregulamentando".
- Há tantas normas hoje em dia que acabam jogando você para a informalidade. Por isso, estamos fazendo a nossa parte - disse Bolsonaro.

O Globo - André Machado, Ramona Ordoñez e
Manoel Ventura

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