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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

SANTA CRUZ - RECUPERAÇÃO JUDICIAL

RJ no Santa Cruz: ofício traz "diversas e graves" irregularidades no CD e pede saída de Marino Abreu

Marino Abreu, durante entrevista coletiva no auditório do clube coral                                                                                                                                                                                  - Foto: Diego Borges/Santa Cruz Futebol Clube (SCFC)


Documento diz que Marino Abreu, enquanto presidente do CD, deixou de cobrar pagamentos "certamente para angariar frutos políticos no ambiente associativo do clube"



O Santa Cruz, através do processo de Recuperação Judicial (RJ), apresentou um ofício com "diversas e graves" irregularidades no Conselho Deliberativo (CD) e pediu a saída em definitivo do presidente do órgão, Marino Abreu, por "condutas ilícitas". Ele havia sido afastado das atividades no Tricolor juntamente ao conselheiro Eduardo Cavalcanti, há exatos dois meses. 

De acordo com o documento, ao qual a reportagem da Folha de Pernambuco teve acesso, o documento tem como objetivo "noticiar a constatação de diversas irregularidades no Conselho Deliberativo praticadas sob a gestão do presidente afastado", sendo elas: ausência de cobranças mensais aos conselheiros, acarretando perda aproximada de R$ 686,000.00 em 27 meses; não cumprimento das 300 posses dos novos conselheiros, tendo deixado de arrecadar R$ 585.000,00; irregularidades em movimentações financeiras de recursos do Conselho Deliberativo; ausência de livros de registros de atas das reuniões; e a contratação do escritório de advocacia "Eduardo Cavalcanti Sociedade Individual de Advocacia", empresa do conselheiro afastado.

Também há a especulação de que Marino Abreu, enquanto presidente do CD, deixou de cobrar pagamentos "certamente para angariar frutos políticos no ambiente associativo do clube" e a acusação de que ele "insistia em realizar reuniões exclusivamente virtuais, com forte restrição de acesso e voz a conselheiros divergentes".

Por conta da falta de cobrança do pagamento mensal aos conselheiros, bem como a negativa em conceder posse aos 300 conselheiros, o Santa Cruz teria deixado de arrecadar aos cofres R$ 1. 271.000,00 (um milhão, duzentos e setenta e um mil reais).

ofício tem a assinatura dos advogados Victor Souza Soares, Eduardo Augusto Paurá Peres Filho, Lucas Rodrigues do Carmo, Gilberto Gornati, Luiza Serodio Giannotti, Gabriela Mendes Maria e Ivo Waisberg. Os dois primeiros são de Pernambuco e o restante de São Paulo.

O que foi feito até agora

Como "prestação de contas", o documento também detalhou, em três pontos, o trabalho que está sendo feito nos bastidores, em meio ao processo de RJ no clube. Confira abaixo:

1) Uma reunião, em 21 de junho, para convocar os 300 conselheiros eleitos no mês anterior.

2) Eleição dos membros da Comissão Patrimonial, com abertura de espaço para sugestões de medidas administrativas a fim de garantir "pleno e harmônico funcionamento" do Santa Cruz.

3) Apresentação de um relatório preliminar de trabalho.

Tumultuar o ambiente

No documento, foram anexadas duas imagens de uma reunião realizada no auditório do clube. As fotos foram apresentadas com o objetivo de argumentar que os dois afastados tinham como intuito "tumultuar o ambiente institucional, a partir de falsas afirmações que vinham sofrendo ameaças por parte de torcedores vinculados à atual gestão".

O que dizem os acusados

Em resposta à reportagem , Marino Abreu afirmou que a falta de cobrança mensal aos conselheiros se deu de forma legal. 

"Desde a primeira reunião após a eleição de Joaquim (Bezerra, ex-presidente do Santa Cruz), a contribuição do Conselho (Deliberativo) foi definida como opcional. Isso foi aprovado pelo pleno, então nada mais fiz que cumprir a deliberação", afirmou.

A respeito da falta de abertura ao diálogo nas reuniões com os conselheiros, ele respondeu não proceder, garantindo ainda que os encontros eram gravados. "Mentira. Todas as reuniões eram transmitidas ao vivo e estão no YouTube", complementou.

O advogado Eduardo Cavalcanti, por sua vez, explicou o vínculo do seu escritório com o clube coral, dizendo que não existiam irregularidades.

“Foi feito um contrato onde eu prestava serviços como pessoa jurídica. Não tem nenhuma irregularidade nisso. Era algo exclusivo para assessorar o presidente (do Conselho Deliberativo, Marino Abreu”, iniciou, antes de detalhar as funções que exercia.

“Assessoria ao presidente, estando incluídos serviços como parte documental, registro de atas organização das reuniões e dos eventos e em dias de jogos, toda parte do Conselho (Deliberativo) quem organizava era eu no dia dos jogos, como a parte da contratação dos terceirizados. Não vejo nenhuma irregularidade nisso”, disse.

Por fim, ele “alfinetou” o processo de intervenção judicial no Tricolor.

“Talvez eu seja uma das poucas pessoas que prestam serviços ao Santa Cruz com contrato e emissão de nota fiscal. Talvez o interventor (judicial) esteja estranhando esse tipo de prática, porque não é utilizada por pessoas dentro do Santa Cruz”, encerrou.

Por Ana Beatriz Venceslau

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