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sábado, 9 de março de 2024

DIA DA MULHER

Militantes levam pautas sociais para as ruas do Recife

Neste ano, o evento teve o mote ''Pela vida de todas as mulheres: Pela legalização do aborto. Contra o racismo ambiental e as violências. Não às privatizações!'' (Foto: Adelmo Lucena/DP)


Temas como legalização do aborto, racismo ambiental e feminicídio foram abordados pelas participantes

As ruas da área central do Recife foram tomadas na tarde desta sexta-feira (8) por uma manifestação realizada por lideranças femininas para destacar a importância de debater pautas sociais no Dia Internacional da Mulher. O evento iniciou no Parque Treze de Maio e seguiu até o Pátio de São Pedro.

Neste ano, o evento teve o mote “Pela vida de todas as mulheres: Pela legalização do aborto. Contra o racismo ambiental e as violências. Não às privatizações!”. Pelo menos 4 mil mulheres e aliados participaram da manifestação. Os assuntos foram escolhidos nas reuniões coletivas e buscam chamar a atenção para importantes contextos percebidos a nível estadual e nacional. 

Entre os temas abordados na manifestação está o alto índice de feminicídio em Pernambuco. Dados do Observatórios da Segurança mostraram que Pernambuco lidera o ranking de feminicídio no Nordeste, com 92 casos, sendo 34,38% com arma branca e 62 casos cometidos por parceiros ou ex-parceiros.

O evento também levou para as ruas a pauta sobre a violência contra as mulheres transexuais. Em 2023, foram registradas pelo menos 66 tentativas de homicídio contra travestis e mulheres trans, segundo a 7ª edição do Dossiê: Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2023. O Brasil continua no topo da lista de países que mais mata  pessoas trans e travestis.

legalização do aborto, pauta prioritária do movimento feminista, também foi um dos pontos abordados durante a passeada. Entre os anos de 2021 e 2022, pelo menos 483 mulheres morreram no Brasil tentando realizar aborto de forma insegura, segundo uma pesquisa da Gênero Número. 

racismo ambiental, uma das pautas que ganha cada vez mais espaço nas discussões, também foi pontuado na manifestação. O tema surge diante da necessidade de discutir os impactos das mudanças climáticas nas populações mais vulneráveis, composta por pessoas negras, pobres e periféricas, moradoras de morros e ribeirinhas, no contexto de Recife e Olinda, mas também dos povos originários. 

Já a luta contra as privatizações vem, principalmente, em oposição à venda de serviços públicos que envolvem segurança, saúde e água. 

"De uma maneira ou de outra, nós somos constituídos da comunidade que nos cerca. Então, todas as pautas têm a ver, principalmente, com as violências que os corpos de mulheres sofrem. Então nós estamos aqui pela vida de todas as mulheres. Quando a gente aglutina temas, a gente dá visibilidade. Eles precisam ser visualizados porque o patriarcado esconde a nossa presença, esconde as nossas pautas e esconde os nossos corpos”, destacou a membro da comissão de metodologia da manifestação, Domenica Rodrigues, de 45 anos.

Cerca de 40 sindicatos, organizações não governamentais, movimentos e coletivos marcaram presença. A ativista social Karina Santos, de 30 anos, marcou presença e destacou a importância do ato contar com aliados.

“Hoje é um dia de memória, de luta e resistência. Nós temos um ato com várias mulheres e cada mulher tem a sua particularidade e sua demanda. Vários movimentos sociais, movimentos sindicais e movimentos partidários levantam as bandeiras das mulheres.  Inclusive neste ato nós estamos vendo vários companheiros por entenderem a necessidade de se somarem à nós mulheres nesse momento. A nossa luta é por direitos e pela compreensão de que se nós estamos aqui hoje, foi porque outras mulheres lutaram no passado”, afirmou.Além de ONGs, movimentos sociais, sindicatos e partidos, estiveram presentes no ato políticos, como a deputada federal Maria Arraes. 

“A gente precisa trazer esse diálogo para a nossa pauta diária. E eu percebo isso diariamente na Câmara, porque quando a gente ocupa esses espaços de poder como mulher, a gente percebe que se a gente não falar dos assuntos que são do nosso interesse, ninguém vai falar. Então por isso a importância de estarmos aqui com a sociedade civil reunida tratando sobre o combate ao machismo, ao feminicídio, destacando a importância da igualdade de gênero, da igualdade de raça, falando de racismo ambiental, racismo estrutural”, destacou.

Por: Adelmo Lucena

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