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sábado, 4 de maio de 2024

SANTA CRUZ - PAULO HENRIQUE COSTA TRICOLOR E PRESIDENTE DO BRB

'Hora de resgatar e levar o Santa Cruz de volta ao lugar que merece'

Paulo Henrique Costa é pernambucano e um apaixonado torcedor do Santa Cruz. Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro (Foto: Divulgação)


Presidente do BRB, um dos maiores incentivadores do esporte nacional, Paulo Henrique Costa é tricolor e conversou com o colunista do DP, Beto Lago, sobre o presente e o futuro do Santa Cruz


Paulo Henrique Costa é pernambucano e um apaixonado torcedor do Santa Cruz. Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, o presidente do BRB exerceu posições gerenciais na Caixa Econômica Federal e no Banco Pan Americano. Era vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa quando assumiu a presidência do BRB. O Banco de Brasília é uma sociedade de economia mista. O maior acionista é o Governo do Distrito Federal, com 71,92% das ações.

Nesta entrevista ao jornalista Beto Lago, Paulo Henrique Costa falou sobre os primeiros passos nesta missão de ajudar o clube do coração, sobre seus momentos como torcedor – chegou a ser mascote do time nos anos 1980 – e sobre os projetos esportivos do BRB, que investe forte no automobilismo e no tênis nacional.

Claro que a primeira pergunta seria sobre essa reunião que o senhor teve com o presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, que contou também com o deputado Augusto Coutinho. O que foi tratado nesta reunião?

PAULO HENRIQUE COSTA – Sou pernambucano, torcedor do Santa Cruz. A gente aqui no BRB vê o esporte como um fator de transformação social, de desenvolvimento de um conjunto de princípios e competitividade, de perseverança, de vitórias. E o BRB passou a se envolver diretamente com o esporte. A partir disso, fui procurado pelo deputado Augusto Coutinho para ter uma reunião com o presidente Bruno Rodrigues, para que a experiência que eu tenho com o esporte e com o mercado financeiro, e principalmente como torcedor do Santa Cruz, a gente pudesse iniciar um trabalho e que não envolve diretamente o BRB, mas, a minha experiência para estruturar uma SAF para o clube. A gente vê muitos nestes últimos anos uma experiência de sucesso com o Flamengo e viu como uma boa administração e uma boa profissionalização na sustentabilidade no caminho de um clube. Eu lembro ainda dos meus tempos de mascote do Santa Cruz, vendo o meu time sendo campeão algumas vezes, na década de 1980, com uma torcida enorme. Acredito que a gente tem um caminho de construção de uma empresa com governança e organização para colocar o Santa Cruz na posição que ele deveria estar e que sua torcida também merece.

O temor é que aventureiros possam chegar no clube, que foi muito maltratado nestes últimos anos. Esse cuidado deve ser o ponto principal que a diretoria do Santa Cruz precisa ter e por isso que Bruno foi procurar o senhor para ajudá-lo neste processo?

PHC – Esse foi um cuidado expressado pelo próprio presidente Bruno Rodrigues, no dia deste encontro, na primeira conversa que tivemos. E claro, é ele quem fala em nome do Santa Cruz. Mas o pedido que foi feito e o compromisso que assumi foi, exatamente, de levar essa expertise, essa experiência em gestão, em governança, do tempo que trabalho no mercado regulado como é o financeiro para que a gente traga seriedade, profissionalismo e respeitabilidade ao Santa Cruz, em qualquer iniciativa que seja construída. E tem muita gente séria no mercado. E serão essas portas que serão procuradas, para fazer uma construção que resgate e promova o clube, levando o Santa Cruz de volta ao crescimento que merece.

Na sua fala inicial, o senhor citou o Flamengo. O clube carioca passou por um processo de reestruturação, que se iniciou ainda na gestão de Eduardo Bandeira. Seria esse um modelo para o Santa Cruz, primeiro com o projeto de reestruturar o clube para depois procurar um investidor para a SAF, ou o clube tem que pensar logo em se transformar em uma Sociedade Anônima do Futebol?

PHC - Ainda é muito cedo para falar de um modelo exato. A gente iniciou uma discussão com o presidente Bruno Rodrigues, começamos a ter acesso a algumas informações em relação às dívidas, à organização do clube. Então, ainda é muito cedo para ter um formato definitivo. O objetivo nosso é, primeiro, fortalecer o clube, dando condições para retomar seu caminho vitorioso. Claro que olho a SAF com simpatia em função dos benefícios de governança que ela traz. Na sua estrutura, ela sempre separa dívidas do passado e receitas e desafios que você tem pela frente. É como se a gente tivesse duas empresas diferentes: a empresa nova, que é a SAF, se organiza e passa a gerar resultado, sendo que parte deste resultado é direcionado para acertar as dívidas e as contas da empresa antiga. Esse tipo de solução é, na minha visão, a mais adequada, que preserva o futuro e, ao mesmo tempo, honra compromissos que tenham sido assumidos no passado. Mas, repito, ainda é muito cedo para a gente falar de uma estrutura definitiva e a última palavra será do presidente, do Conselho e da Assembleia Geral dos sócios.

Já teve algum contato com investidor? E no caso da Recuperação Judicial, isso atrapalha ou não na procura de um investidor?

PHC – A Recuperação Judicial não interfere diretamente na estruturação que vamos trabalhar. Queremos criar uma unidade produtiva diferente, que é a SAF, utilizada para pagar as despesas da estrutura antiga. Sobre contatos com investidores, ainda estamos na fase de estruturação da operação. Nenhum investidor foi contactado.

O senhor falou que foi mascote. Como o senhor enxergou este momento do clube, que não tem divisão em 2024 e passa por um dos momentos mais difíceis da sua história?

PHC – Beto, acho que a vida de qualquer empresa, de qualquer clube é feita de altos e baixos. Neste momento, o que precisamos é olhar pra frente e buscar construir os caminhos com governança, com respeito, com profissionalismo, com seriedade, para que o Santa Cruz volte a ter a divisão que a gente merece. Um clube do tamanho do Santa Cruz, com essa torcida tão apaixonada, envolvida com o próprio patrimônio que o clube sempre teve, precisa estar na Primeira Divisão. É um caminho longo, mas, no final, o objetivo será da sustentabilidade, de conquistar cada vitória, de levantar títulos. Vamos de série a série para alcançar este objetivo final.

O senhor falou que foi mascote. Herança dos pais? E a emoção de ter entrado pela primeira vez com os jogadores no gramado do Santa Cruz?

PHC – Essa herança veio da família de meu pai (médico Paulo Roberto Costa), de toda família dele, de minha avó paterna, que era torcedora fanática do Santa Cruz. Tenho grandes lembranças daquela época, entrando em campo com Birigui, com Loti, com Zé do Carmo, com Orlando, com Luís Neto. Tantos que trouxeram memórias importantes para mim e, principalmente, vitórias e conquistas para a nossa torcida.

Frequentava o estádio?

PHC – Sim. Ficava nas sociais, tomando chuva. Na época não era coberta. Tentava me abrigar embaixo das cabines da imprensa. Esse era um programa, quando garoto, que a gente esperava muito para acontecer: ir com minha família para assistir o Santa Cruz no Arruda. Era um programa familiar, que se transformava em um grande momento, com amigos que a gente cultivava nos dias de jogos. Tem muito significado.

Praticou algum esporte, jogou futebol?

PHC – Todo mundo chegou a jogar futebol. Toda criança tem esse sonho e o futebol fez parte, sim, da minha infância. Na escola, cheguei a jogar futebol de salão. Mas, a vida profissional foi ocupando esse espaço e acabei deixando de lado o prazer de jogar. Meu foco, hoje, é a gestão do banco, onde a gente tem feito uma transformação importante. O BRB tinha uma atuação muito presente em Brasília e hoje tem atuação no País inteiro, e que parte da repercussão que ele alcançou foi através do esporte. Do apoio que a gente dá ao automobilismo, ao tênis, ao esporte aqui em Brasília e também na parceria que a gente fez com o Flamengo.

Como é essa atuação do banco no esporte?

PHC – Nossa atuação no esporte acontece em várias frentes. Em primeiro lugar, busca a promoção comercial do banco, expor a marca. Em segundo lugar, estabelecer vínculo com novos clientes, dos praticantes de esportes e até fomentar Brasília como uma cidade de grandes competições. Mas, claro, a gente tem o objetivo esportivo. De levar o Brasil às posições mais altas do pódio em qualquer modalidade esportiva.

E como entrou o automobilismo no dia a dia do banco? Existe a ideia da academia para
formar novos pilotos?

PHC – Hoje, o BRB é o principal apoiador do automobilismo no Brasil. Começamos na Stock Car, seguiu na Touring Car Championship, na Fórmula 4 brasileira, passando pelo Rally dos Sertões e hoje viramos o banco oficial da Confederação Brasileira de Automobilismo, onde o presidente Geovani Guerra vem realizando uma transformação muito grande no País. Chegamos à Fórmula 1 na equipe Alpine e vamos anunciar, nos próximos dias, a assinatura de um contrato para a academia de pilotos. O objetivo é fazer com que os pilotos brasileiros tenham mais oportunidades aqui no Brasil, fiquem um pouco mais no País, disputando as nossas competições, antes de seguirem para fora. E quando forem, que estejam melhores preparados, competindo, de igual para igual, nas diversas categorias. O piloto daqui sai muito cedo, com 14, 15, 16 anos. Fica distante da família, com uma língua diferente, com culturas diferentes, com alimentação diferentes, e, muitas vezes, sozinho. É diferente quando a gente compara com a situação do piloto europeu, que está competindo em casa, dentro do seu ambiente. O que a gente quer é que os pilotos e as pilotos fiquem mais tempo aqui, sendo treinados em um conjunto de habilidades e saindo mais maduros. A gente tá falando em entender um pouco mais de mecânica, de análise de dados, de como lidar com a mídia, que vai ajudar para competir, de igual para igual, com o pessoal lá fora. E olhe: mesmo com essas deficiências, nós temos um histórico relevantes de pilotos brasileiros campeões do mundo. A gente se refere na Fórmula 1 ao Ayrton Senna, nossa maior referência. Imagina o que podemos construir a partir disso, desta mudança de projetos.

O tênis também vem sendo outro esporte muito incentivado pelo BRB?

PHC – Sim. A Confederação Brasileira de Tênis é presidida pelo Rafael Westrupp, que também comanda a Confederação Sul-Americana e é vice-presidente da Federação Internacional. Ele trouxe governança, gestão, capacidade de planejamento e, nos últimos cinco anos, transformou o tênis brasileiro. Veja onde estão Bia Haddad e tantos outros nomes, como Thiago Wild, Thiago Monteiro, João Fonseca, da Luísa Stefani, da Laura Pigossi, como medalhistas olímpicas. E quem sabe não vem novas medalhas? O esporte brasileiro tem muito talento colocado na mesa e quando a gente agrega planejamento, capacidade de gestão, seriedade, organização, esses talentos afloram. É disso que a gente vem falando e que é essa experiência que queremos levar para o Santa Cruz.

Só para terminar nossa entrevista, qual foi o seu ídolo no Santa Cruz?

PHC – Tenho muitos ídolos, muitas lembranças. Mas talvez o grande destaque tenha sido Rivaldo. Peguei um pouco a sua saída, quando foi para o Mogi Mirim, chegou à Seleção Brasileira e teve toda a projeção internacional que ele conquistou, falando sempre em suas entrevistas de suas raízes na cidade de Paulista, e principalmente do Santa Cruz.

 Beto Lago


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